O Vestido Xadrez

Naquele dia, saindo da rotina, deparei-me com o que seria fonte de um pensamento tolo,

" Mas o que há ali, se não uma menina? "
De vestido velho e xadrez, tendo o luto indicado pelo preto, pensei,

" Mas para ser xadrez, apenas preto basta? "
Era um belo bordado, sobre um tecido marcado, querendo ser xadrez.

Aquela tristeza que carregava, pôs-se fronte o amor daquela, que ainda quando menina, amou com desprazer o corpo por baixo dos sete palmos terrestres.

A criança queria correr, mas o luto tinha de pesar.

Dito e não feito, a promessa acabava ali.
A morte os havia separado.
Dando a menina, um olhar livre de qualquer maldade, feliz porque agora solto.

Posso por meias palavras dizer,
Que o prazer da criança
Foi envelhecer.

A morte pôs fim a tortura.
E o fim da vida, saltava dos bordados, querendo flores e festa.
Querendo, não mais, ser xadrez.

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