Uma hipótese

Hipoteticamente falando minha vida poderia ser diferente, se:

Eu tivesse perdido o movimento das pernas quando me acidentei na 4 ª série.
Eu tivesse engravidado naquela tarde de domingo.
Eu não tivesse vontade de estudar.
Eu tivesse me apaixonado pelo canteiro de obras e optado por engenharia civil.
Eu não tivesse passado no vestibular.
Eu tivesse optado por ficar.
Eu tivesse amado aquele homem.
Eu não tivesse esse sonho.
Eu quisesse...

Tantos são os possíveis rumos que eu poderia ter tomado, mas se a mesma idade não se faz outra vez e só se tem uma vida, e já que a vida é feita de escolhas e há muito tempo escolhi vivê-la, nada mais plausível que não temê-la.
Então assim será, deixarei ser, viver, sentir, sorrir.
Correrei o risco, escorrerá a lágrima e então tomarei juízo.
E se o fim é inevitável, alguns até planejados, não o adiantarei.
Mas se adiar pra se ter mais prazer não for pecado, uma reviravolta no relógio será sempre bem vista.

E a minha hipótese hoje é de que dois dias seriam pouco, uma vida inteira seria muito. Mas é só uma hipótese, talvez o resto da vida seja o suficiente, talvez a hipótese seja inocente.

Dentre tantas variantes, uma vida constante.

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