Liberté - Parte I
Já que estamos só nós aqui, queria conversar um pouco...
A confusão por aqui está tão grande que vou ter que começar falando de abril de 2016 para que você possa entender.
Em abril de 2016 houve a troca de gestão do LAC. Eu estava ansiosa, decepcionada e estressada. Percebi que precisava de ajuda, não conseguiria sair daquela situação sozinha, então procurei o CEAPPE (Centro de Assessoria e Pesquisa em Psicologia e Educação) da UFPR. Era uma sexta-feira, final de expediente e ainda assim fui ouvida com muita atenção, consequentemente chorei copiosamente na frente de um estranho.
Estava confusa com os meus sentimentos, responsabilidades, relacionamentos, com quem eu estava sendo...
No dia 14 de maio dei início à minha terapia, com um estudante de psicologia uma hora por dia, um dia na semana. Esse passou a ser o tempo mínimo que destino para cuidar de mim.
8 meses depois de ter buscado por ajuda e revirado cada canto da minha mente eu estou, finalmente, podendo ver a minha história com mais clareza.
Doeu perceber como fui cruel comigo por todo esse tempo. Lembrar das maldades que me fizeram foi triste e trouxe mais sentimentos confusos.
São das maldades que preciso te contar... Eu era tão pequena que as lembranças nem parecem ser reais, mas eu me lembrei de como fui estuprada aos 3 anos de idade e percebi como a sociedade é capaz de alterar nossa concepção, de como ela é capaz de nos fazer sentirmos culpados.
Eu era uma criança que não entendia muita coisa, que confiava em todo mundo e que amava carinho. Mas não entendia os limites, dor e carinho sempre se misturavam, talvez por isso escondi por tantos anos, até mesmo de mim, o estupro.
A falta de entendimento me fez crescer sem bases fortalecidas. Isso se refletiu em minha postura, meu tom de voz, na forma como me relaciono com as pessoas, entre outras coisas.
Cresci ouvindo que quando era pequena eu era mais feliz, falante, espontânea. Descobri há pouco tempo que esta era eu antes do que ocorreu.
Me lembrava com dor deste passado, daquela garotinha, mas tenho olhado para trás com mais ternura e dado espaço para minha essência emergir. Com isso tenho assustado algumas pessoas que me acompanham há tempos, mas já não me importo tanto.
Lembro que sempre me senti insegura, parecia que faltava algo, até que comecei a mudar. E só mudei porque me lembrei de tudo que sempre quis esconder, porque juntei forças para limpar meu passado e passar a gastar minhas energias apenas com meu presente.
Respeito por mim mesma era uma das peças que faltavam. Não permitir que a vontade dos outros me movam. Manter a mente limpa, deixar o corpo em paz. Equilíbrio era a outra peça.
Hoje é dia 31/12/2016, meus pais ainda não sabem sobre o estupro. Eu estou passando as férias na casa deles e pretendo contar antes de voltar para Curitiba.
Uma pessoa muito querida disse que não tem hora certa para contar isso pra eles mesmo, mas eu ainda estou buscando um momento menos desastroso. Portanto continuarei escrevendo... dividirei as dores e vitórias.
Obrigada por fazer parte disto.
Obs: Este e os próximos textos serão realocados no projeto Phynas em breve. ;)
A confusão por aqui está tão grande que vou ter que começar falando de abril de 2016 para que você possa entender.
Em abril de 2016 houve a troca de gestão do LAC. Eu estava ansiosa, decepcionada e estressada. Percebi que precisava de ajuda, não conseguiria sair daquela situação sozinha, então procurei o CEAPPE (Centro de Assessoria e Pesquisa em Psicologia e Educação) da UFPR. Era uma sexta-feira, final de expediente e ainda assim fui ouvida com muita atenção, consequentemente chorei copiosamente na frente de um estranho.
Estava confusa com os meus sentimentos, responsabilidades, relacionamentos, com quem eu estava sendo...
No dia 14 de maio dei início à minha terapia, com um estudante de psicologia uma hora por dia, um dia na semana. Esse passou a ser o tempo mínimo que destino para cuidar de mim.
8 meses depois de ter buscado por ajuda e revirado cada canto da minha mente eu estou, finalmente, podendo ver a minha história com mais clareza.
Doeu perceber como fui cruel comigo por todo esse tempo. Lembrar das maldades que me fizeram foi triste e trouxe mais sentimentos confusos.
São das maldades que preciso te contar... Eu era tão pequena que as lembranças nem parecem ser reais, mas eu me lembrei de como fui estuprada aos 3 anos de idade e percebi como a sociedade é capaz de alterar nossa concepção, de como ela é capaz de nos fazer sentirmos culpados.
Eu era uma criança que não entendia muita coisa, que confiava em todo mundo e que amava carinho. Mas não entendia os limites, dor e carinho sempre se misturavam, talvez por isso escondi por tantos anos, até mesmo de mim, o estupro.
A falta de entendimento me fez crescer sem bases fortalecidas. Isso se refletiu em minha postura, meu tom de voz, na forma como me relaciono com as pessoas, entre outras coisas.
Cresci ouvindo que quando era pequena eu era mais feliz, falante, espontânea. Descobri há pouco tempo que esta era eu antes do que ocorreu.
Me lembrava com dor deste passado, daquela garotinha, mas tenho olhado para trás com mais ternura e dado espaço para minha essência emergir. Com isso tenho assustado algumas pessoas que me acompanham há tempos, mas já não me importo tanto.
Lembro que sempre me senti insegura, parecia que faltava algo, até que comecei a mudar. E só mudei porque me lembrei de tudo que sempre quis esconder, porque juntei forças para limpar meu passado e passar a gastar minhas energias apenas com meu presente.
Respeito por mim mesma era uma das peças que faltavam. Não permitir que a vontade dos outros me movam. Manter a mente limpa, deixar o corpo em paz. Equilíbrio era a outra peça.
Hoje é dia 31/12/2016, meus pais ainda não sabem sobre o estupro. Eu estou passando as férias na casa deles e pretendo contar antes de voltar para Curitiba.
Uma pessoa muito querida disse que não tem hora certa para contar isso pra eles mesmo, mas eu ainda estou buscando um momento menos desastroso. Portanto continuarei escrevendo... dividirei as dores e vitórias.
Obrigada por fazer parte disto.
Obs: Este e os próximos textos serão realocados no projeto Phynas em breve. ;)
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