Ervilha e Elefante

Se lembra de algum momento em que perdeu completamente o controle das tuas emoções?
Quando me sinto assim, em geral, a sensação é de que uma bomba de tristeza implode e não tem razão aparente. Logo em seguida, depois que baixa a poeira, começam a emergir as causas - sim, sempre no plural - e é como se eu colocasse álcool nas feridas abertas.

Hoje foi um dia desses... depois de vários dias de tenção, algumas surpresas bastante confusas, sem tempo para digerir, - na verdade o tempo que tive não foi suficiente -  cabeça cheia, agenda cheia, fui me atropelando e deixei pra resolver depois. 
Bom, as vezes funciona no depois, outras tantas vem antes do que eu gostaria. 

Sinto hoje que tenho um desafio que exige algo que é muito além da minha compreensão. Já se passaram mais de vinte anos e uma ferida dói como se tivesse acabado de ser aberta. Lateja e ainda assim cultivo diariamente a esperança, do esperançar, de que vou conseguir mudar isso e não sentir mais dor, de que vou me libertar.

É bem claro o fato de que o desespero pela cura que me mantém viva. Um desejo maior que eu de dormir e acordar tranquila e ter como monstro somente o agora. Ainda não faço a menor ideia de como lidar com essa vida, com os sonhos que nunca tenho, com os desejos que por medo ainda reprimo... medo em cima de medo. 

Me dói ainda o olhar que tenho triste sobre essa minha vida, a oportunidade que tive de amar e ser amada, que mesmo sabendo que fui e tendo sentido que fui, não soube receber com plenitude tudo aquilo que só era bom e por isso amedrontador.

Lamento ainda os abraços que deixei de dar e receber por medo de sentir meu corpo e um outro  sendo tocado com carinho, e que tudo acontece por um dia ter tido atravessada com uma violência tão brutal minha noção de afeto.

São enumeras ações, sentimentos e emoções que repeli avidamente tanto quanto necessitava. Felizmente já não me cabe mais esse comportamento pois me cerquei de pessoas tão amorosas e generosas que sequer sabem que são minhas doses diárias de cura, que alimentam e por consequência orientam minha meus passos nessa vida e que assim como eu fizeram votos de cooperar para evoluir. 

Ainda me sinto estilhaçada, frágil e medrosa porque rolou sobre mim hoje uma pequena ervilha que me lembrou da existência de pessoas nocivas e que estas sim devo repelir, por um infeliz descuido a engoli. Ardeu como o álcool na ferida aberta,  despertou o elefante e  me senti pisoteada novamente.

Passei o dia desnorteada, não fiz por mal e lamento pelo descaso que tive comigo. Também me perdoo, por ter o cuidado em reconhecer, de alguma já me sinto melhor e "feliz" por ter sido curto o sofrimento.

Nunca soube como pedir ajuda nas turbulências - e foram várias-, mas peço que sejam apenas gentis. Gentileza nos serve como aqueles remédios de avó, aqueles que elas dizem que resolvem tudo, afinal "Gentileza gera gentileza" :) 

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