Mais uma carta

Há  mais de um ano não buscava por mim nesse blog, descobri que em breve completará 11 anos desde que o criei. 

Mal me lembro de quem eu era quando comecei aqui e nem do porquê comecei, mas é fato que há cartas e contos muito emocionados por aqui. 

É madrugada do dia 5 de janeiro de 2022 enquanto escrevo. 

Noto a excentricidade da repetição dos números 11, 22... felizmente ainda falta um tanto para eu completar 33. Será que o blog sobrevivlerá até lá? Será que irei sobreviver até lá? 

Permaneço com a projeção adolescente de eternidade. Mas por quê?  Pra quê? 

É fato também que há muito tenho guardado meus escritos em um caderno pessoal. Me cansei das cartas tristes escritas nos últimos anos e algumas até foram enviadas por correio - lamento o trauma, amado destinatário. 

Tenho despertado demônios de todas as naturezas há anos. E a verdade é que eu fui a natureza criadora em muitas fases, com idades, dores e angústia variadas. 

Tem sido no mínimo desafiante encarar, reagir, acolher, expurgar e encantar todas as criaturas mágicas do meu inconsciente. E mais ainda libertar o peso e dores que me mantiveram de pé,  preenchendo os espaços de tudo o que foi quebrado nessa maravilhosa pessoinha que sou...

Uma mulher que fracassou bravamente tentando controlar o incontrolável. Negando sua fragilidade,  seus desejos, suas necessidades,  seu grande amor. E que hoje, com muita gentileza olha pra si com respeito, observa, se acolhe e permite sonhar. 

E hoje sonho com o futuro. Por vezes, muitas vezes, sonho também com o passado. Com o danado do homem que me deu de presente o doce do presente, do estar e ser. 

"Nós" há tempos deixou de existir, mas vive um o nó em minha  garganta. É meio psicotico viver como se você ainda estivesse presente, nessas horas sou pura confusão. Eu odeio tanto a tua presença em meu inconsciente quanto amei você.  Talvez seja válido dizer que ainda amo, que ainda te vejo em muitos lugares, que ainda te sinto e desejo, será? É provável que não faça diferença.

Por esses dias também completa 10 anos desde a primeira vez que nos vimos, e a certeza única é de que mudamos. Me lembro tão bem do exato momento em que derreti os olhos em você e que tocou muito Raul naquela noite. 

 Me faltava estrutura. 

Foi muito doído aceitar. A  frieza e precisão dessa frase seguem distantes de mim (queria deixar uma piadinha com bisturi aqui, mas deu ruim rs). 

Eu me perdôo e peço perdão... carinho!  

-Pula-

Subi muitos degraus de  liberdade mas ainda tropeço com frequência. É estranho querer muito compartilhar essas alegrias contigo e saber como tem sido a vida pra ti? Contar que foi tudo horrível e doloroso, mas estou aqui, viva, vivendo, desejando ser feliz e sendo mesmo que um pouco desengonçada...? Sim!

Desconheço a medida segura então sigo aproveitando minha bolha blogueiristica. Uffa!

Amo você e sou imensamente grata por tudo o que me deu, foi essencial para que eu aprendesse a me amar. 

Ahrá! 


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