Liberté - parte II

Hoje pela manhã pensei sobre o blog, queria entender sobre o que escrevo.
Fui feliz, é sobre magia. Sobre a parte que brilha em mim, que sonha, deseja e ama. Sobre me permitir sentir. Escrevi sobre bons momentos, pessoas que quis bem.
É minha bolha imaginária... vivo fora do corpo. 

Há muito abandonei este corpo. Deuses, perdi as contas das vezes que desejei deixá-lo, morrer, poder não sentir mais.
É uma tortura senti-lo apodrecendo. Um desespero que sufoca, cala,  a alma e tenta destruir toda a magia, bondade e amor que exitem. 
E eu amo. E muito amo! Me pergunto como ainda posso depois de tanto, tudo. É perturbador. 
Existe um amor não romântico que há muito luto para construir e que parte de mim sempre foi relutante, nunca entendi... felizmente o quebra-cabeças tem se montado. Um conflito de gerações, crenças, limites, respeito.
Há poucos dias puxei mais um fio de memória... de novo a ponta de um iceberg obscuro, podre e lá vamos nós de novo - meu corpo e todas as memórias que carrega - jogar merda no ventilador e gritar pras paredes, ladeira a baixo num corpo que por tanto tempo odiei sem entender.
Afinal como poderia amar algo sem vida, que não tem luz, que não se alegra?
Mais uma vez queria que fosse mentira, alucinações de uma mente tão criativa. Aos poucos aceito que não, que foi real, que aconteceu, me consumiu, destruiu, calou e também que sobrevivi.
Vou me lembrar de tudo. Sei que vai me desmontar. Sei também que vai me libertar. Já não resistirei à minha dor, tão pouco ao amor. 

Meus olhos brilham, sou minha fortaleza
Escolho sentir, viver, amar
Me abraço para não enlouquecer
Gratidão por me reconhecer

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